Duas cantoras para um poeta: as baianas Jussara Silveira e Sylvia Patricia se unem em tributo a Waly Salomão, no show “Balada de um Vagabundo – A Música de Waly Salomão”, que acontece no Pátio Viração da Casa Rosa, no dia 11 de janeiro, às 22h. Ingressos estão à venda pela Sympla.
O projeto teve sua estreia em maio de 2024, para homenagear o “homem dos múltiplos caminhos”, como se definia. Na verdade, o tributo ao mestre das palavras tem também caráter afetivo. No fim da década de 1970, Jussara Silveira e Sylvia Patricia começaram a carreira juntas, num show em Jequié, produzido pelo amigo Antonio Salomão, que as apresentou ao tio Waly. Tornaram-se todos amigos e, no primeiro show das cantoras em Salvador, ele, já famoso pelo trabalho com Gal Costa, deu algumas dicas.
“A poesia de Waly é astuta, vigorosa, atinge, tem flecha certeira, mas também tem a delicadeza de uma água brotando, de uma fonte nascendo e desbravando a vida, como em ‘Olho d’Água’, que eu canto no show. Meu desejo é de que o ouvinte veja o show, escute as canções e possa buscar a poesia total de Waly Salomão”, diz Jussara Silveira.
“Waly foi um artista multimídia, totalmente de vanguarda, muito à frente de seu tempo, e um poeta incrível, que está cada dia mais atual. Agora mesmo estão traduzindo seus poemas para o espanhol e inglês e há um documentário sobre ele em produção”, conta Sylvia Patricia.
Espírito livre, dono de uma língua ligeira em versos disruptivos, românticos, cortantes, debochados, irônicos e inspirados, o poeta Waly Salomão, nascido em Jequié em 1943, ocupa um espaço fundamental na literatura brasileira. Multiartista, dirigia shows como o icônico “Fa-Tal”, de Gal Costa, era um versátil letrista e imprimiu versos em músicas com Jards Macalé, Caetano Veloso, Adriana Calcanhotto e outros tantos nomes estrelados, foi produtor de discos, ator e o que se costumava chamar de “agitador cultural”.
Waly se esparramava por várias artes. Dono de uma altíssima erudição de páginas e páginas mastigadas do melhor da literatura mundial, flertou com a geração beatnik e foi figura importante do Tropicalismo, embora rejeitasse ser poeta tropicalista: “Não me sinto assim”, costumava dizer. Morto precocemente em 2003, aos 59 anos, estaria hoje na casa dos 80, junto com muitos de seus parceiros.
A potência criativa de Waly reverbera em muitas direções. Por isso, um dos momentos fortes do projeto são as projeções de vídeos, fotos e falas que dão conta da pluralidade desse artista. “As projeções ampliam a gama de possibilidades de mostrar as várias faces de Waly”, conta a produtora Cláudia Salomão, sobrinha de Waly, que recrutou o escritor e artista visual Omar Salomão, seu primo e filho do poeta, para ajudar. A inspiração para a edição do vídeo veio de guardados familiares. “Tenho em casa uns rabiscos, tipo uns grafismos de Waly, que gostava de escrever palavras soltas, intercalar com pequenos desenhos, pôr palavras de cabeça para baixo, lateralizadas, e eu lembrei disso e pedi a Omar algo assim e ele mandou”, explica, acrescentando que houve outras tantas contribuições.
A VJ Flora Rodriguez recebeu os briefings para alternar imagens de Waly com grafismos e depoimentos que resumissem a multiplicidade do homenageado. A atriz e diretora teatral Hebe Alves não só contribuiu com a edição final como orientou a movimentação de Jussara e Sylvia no palco, marcando interações entre elas e entre elas e os vídeos.
O show tem direção musical de Alex Mesquita, também na guitarra, violão e vocais, junto a Fernando Macuna, na percussão, e Alexandre Vieira, no baixo e vocais. No repertório, canções como “Mel” e “A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa” (+ Caetano), “Memória da Pele” (+ João Bosco), “Vapor Barato” (+ Jards Macalé), “Assaltaram a Gramática” (+ Lulu Santos), “Motivos Reais Banais” (+ Adriana Calcanhotto), “Dono do Pedaço” (+ Gilberto Gil), dentre outras.
Em cena, duas cantoras que deslancharam suas carreiras individuais em terrenos diversos se amalgamam em uma alquimia com cheiro de contracultura moderna, porque Waly Salomão não se aprisionava em datas e sua biruta sempre se enchia de ares futuristas. Assim, a canção popular de Jussara Silveira e o pop-rock de Sylvia Patricia se despem de suas essências para se deixar soprar pelas velas da “Navilouca” polissêmica walyana com cumplicidade, risos, leveza, danças, poesia e muito canto. Acima de tudo, o projeto busca despertar novas gerações para a singularidade deste senhor de tantas linguagens.
JUSSARA SILVEIRA E SYLVIA PATRICIA
“BALADA DE UM VAGABUNDO – A MÚSICA DE WALY SALOMÃO”
Quando: 11 de janeiro 2025 (sábado)
Abertura da Casa: 21h
Início do show: 22h
Onde: Casa Rosa (Praça Colombo, 106 – Rio Vermelho – Salvador, Bahia)
Plateia acomodada em cadeiras
Quanto:
1º lote: R$ 100 (inteira) | R$ 50 (meia) | R$ 60 (Clube Correio*)
2º lote: R$ 120 (inteira) | R$ 60 (meia) | R$ 72 (Clube Correio*)
Vendas antecipadas pela Sympla: https://linktr.ee/casarosasalvador
Classificação indicativa: 18 anos
MEIA-ENTRADA
A Casa Rosa cumpre a Lei Federal 12.933/2013, a Lei Municipal 9.763/2023 e a Lei Estadual 14.765/2024, que dispõem sobre o benefício do pagamento de meia-entrada.
>> A concessão da meia-entrada é assegurada em 40% do total dos ingressos disponíveis para cada evento
>> A comprovação do benefício de meia-entrada é obrigatória, através de documentos específicos, regulamentados e insubstituíveis
>> A comprovação deverá ser feita no momento de entrada no dia do evento
>> Quem adquiriu meia-entrada e não tiver a comprovação devida deverá fazer a complementação do valor para inteira para ter acesso ao evento; isto poderá ser feito no dia do evento, na bilheteria do local
Os públicos beneficiados são:
- Estudantes: apresentar a Carteira de Identificação Estudantil (CIE)
- Idosos maiores de 60 anos: apresentar documento de identificação oficial com foto
- Pessoas com deficiência: apresentar Cartão de Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social da pessoa com deficiência ou documento emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que ateste a aposentadoria de acordo com os critérios estabelecidos, junto com documento de identificação oficial com foto
- Jovens de baixa renda (pessoas com idade entre 15 e 29 anos que pertencem a família com renda mensal de até dois salários mínimos, inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal – CADÚNICO): apresentar Carteira de Identidade Jovem emitida pela Secretaria Nacional de Juventude, junto com documento de identificação oficial com foto
- Professores, coordenadores pedagógicos e titulares de cargos do quadro de apoio da rede de ensino da Bahia, ativos e aposentados: apresentar carteira funcional emitida pela Secretaria da Educação de seu município, pela Secretaria Estadual da Educação, pelo Ministério da Educação ou holerite do profissional da educação, emitido pela instituição de ensino, acompanhado de documento de identificação com foto.